
Após guerras infindáveis que devastaram o mundo inteiro, o resto da humanidade começa a se organizar em pequenos feudos governados por barões autoritários. Embora estejam protegidos por muros erguidos para deter qualquer ameaça, essas pessoas estão fadadas a passar o resto de suas vidas como escravos para seu senhor – trabalhando no campo de forma exaustiva, tudo para o conforto daqueles que os governa.
Quinn, um dos sete barões que reinam nesse universo pós-apocalíptico, é conhecido por manter um exército de lutadores conhecidos como Clippers. Porém, seu império começa a ruir quando uma de suas “remessas” de escravos é assassinada por nômades – pessoas que não pertencem a nenhum feudo e levam a vida como mercenários. A mandante do ataque não é ninguém menos do que A Viúva, baronesa que ganhou tal apelido após matar seu marido.
No meio de toda essa confusão encontra-se Sunny (Daniel Wu), um Clipper frio e calculista, famoso por ter ceifado mais de 400 vidas a mando de Quinn. Implacável em combates mão-a-mão ou com espadas, o assassino constantemente se vê em um dilema dramático: manter a sua jurada lealdade ao barão mais poderoso de Badlands, ou optar pela liberdade e se aventurar em um mundo perigoso em busca de informações sobre seu passado obscuro.
Guerra dos feudos
Esse é um pequeno resumo da trama de Into the Badlands, novo seriado de ação do canal norte-americano AMC. Com previsão de estreia mundial para o dia 15 de novembro (sendo que a exibição no Brasil ocorrerá somente às 01h do dia 16, exatas 24 horas depois da exibição nos EUA), a obra promete unir cenas de ação à la Quentin Tarantino com um roteiro caprichado inspirado em “Jornada ao Oeste”, clássico conto da mitologia chinesa.
Na manhã desta sexta-feira (30), o Minha Série teve a oportunidade de assistir ao primeiro episódio da produção e pudemos comprovar que, embora excessivo, o uso das artes marciais não ofusca o brilhante enredo escrito por Alfred Gough e Miles Millar (ambos de Smallville: As Aventuras do Superboy). Há falhas? Naturalmente, mas de forma algumas elas chegam a atrapalhar a experiência do espectador.

Formada por seis episódios de 45 minutos, a primeira temporada do seriado tem como gatilho o encontro entre Sunny e um garoto misterioso conhecido como M.K. Único sobrevivente da remessa de escravos anteriormente citada, o jovem está sendo procurado pela Viúva por causa de seus bizarros poderes sobrenaturais: ao sangrar, o personagem parece ser possuído por uma entidade maligna e se transforma em um lutador marcial de força absurda.
M.K. foi separado de sua mãe e deseja reencontrá-la para posteriormente retornar à sua terra natal, uma cidade denominada Akra e que teoricamente fica além dos terríveis campos de Badlands. Pressentindo uma ligação entre Akra e seu passado desconhecido, Sunny decide ajudá-lo em uma jornada que pode custar a vida de ambos – afinal, trair seu barão é um verdadeiro pecado para a cultura dos Clippers.

Não há um deus – e nem tecnologia – em Badlands
A direção de arte de Into the Badlands é impressionante, e as sequências de combates lembram muito o clássico filme Kill Bill – só que com menos violência. Excepcional também é a atuação de Daniel Wu, que já marcou presença em uma infinidade de longas-metragens do gênero e consegue convencer como um guerreiro que mata centenas de homens a sangue frio, sem questionar as ordens de seu mestre.
Como dissemos anteriormente, poucas coisas incomodam na produção do seriado. Uma delas é a falta de um motivo plausível para o regresso tecnológico e cultural: embora o enredo seja ambientado no futuro, não há explicações inteligentes sobre o porquê de todo mundo ter voltado a usar exclusivamente espadas e os próprios punhos para lutar. Quinn utiliza uma vitrola para ouvir música e as vestimentas de todos os personagens remetem aos séculos passados.
Quase não se vê máquinas no enredo (ao menos no primeiro episódio), com exceção da motocicleta usada pelo próprio Sunny e de um carro usado pela Viúva. É um pouco estranho que, em um mundo onde todos estejam desesperados para sobreviver, ninguém tenha tido a ideia de reviver as armas de fogo e usá-las como vantagem sobre os espadachins. Porém, visto que a obra possui um discreto viés fantasioso (que justificaremos aqui com a “possessão” de M.K., por exemplo), é razoável ignorar esse detalhe.

Muita ação, mas com uma boa história
Into the Badlands é um dos raros seriados que conseguem conquistar o espectador logo no seu primeiro episódio – a receita do bolo levou a dose certa de ação e suspense, sem pesar demais em nenhum dos ingredientes. Um prato-cheio para quem gosta de artes marciais, a obra poderá ser conferida através da SKY, única empresa de TV por assinatura a oferecer a versão brasileira do canal AMC
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Assistimos ao primeiro episódio de Into the Badlands, nova série de ação da AMC
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015
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